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Fiéis se despedem no Recírio

Terça-Feira, 25/10/2011, 09:39:02

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Fiéis se despedem no Recírio (Foto: Everaldo Nascimento)

Muitos devotos acordaram cedo para ver de perto a imagem original (Foto: Everaldo Nascimento)

Após viver intensamente os quinze dias que compõem a festividade nazarena, a aposentada Esperança Moreira foi se despedir da imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré. Junto com ela, a imagem que ganhou de presente em uma das peregrinações. “Trouxe ela para as duas chegarem perto uma da outra”.

Para possibilitar o encontro, Esperança chegou ainda de madrugada à Praça Santuário, de onde acompanhou a missa que antecede o Recírio, última procissão do Círio 2011. Aos 63 anos, a aposentada acompanhava a passos lentos o trajeto da imagem peregrina que seguia à frente em um andor. “Vale qualquer esforço por Nossa Senhora”, garantiu, numa pausa entre suas orações.

“Estou cumprindo mais uma vez minha promessa de nove anos. O Recírio fecha um ciclo para mim, mas continuo acompanhando Nossa Senhora porque ela me dá mais força para o ano que vem”, completou.

Ainda na praça onde aconteceu a missa, o pequeno Yuri dormia no colo da tia Áurea Assunção. Já nos primeiros meses de vida, foi apresentado a Nossa Senhora. “No Círio, participamos da missa na Sé (Catedral) e, assim como agora, ficamos em pé o tempo todo. Vale o sacrifício”. No momento da saída da imagem pelas mãos do bispo auxiliar de Belém, Teodoro Mendes, o barulho das palmas em homenagem à Virgem de Nazaré se misturava à gritaria dos periquitos. Já acordado, o menino olhava atento ao coro que acompanhava os cânticos do Círio. “Ela (Nossa Senhora) está desde cedo na vida dele”, emocionava-se a tia.

O percurso é bem menor que o vivenciado no Círio de Nazaré, ainda assim, é o suficiente para a autônoma Dulcilene Carvalho renovar a fé que tem em Nossa Senhora. Com fotografias da família nas mãos, ela tentava de tudo para enxergar a imagem que já passava os portões do colégio Gentil, na avenida Magalhães Barata. O momento era de pedir bênçãos. “Trago as fotos da minha filha, do meu marido, da minha mãe e das minhas irmãs para que ela possa abençoar toda a minha família e todas as famílias paraenses”.

Com o rosto colado na grade externa do colégio e com uma das mãos para o alto, a aposentada Maria Madalena Marques agradeceu por mais um Círio. Aos 73 anos, a dificuldade em se manter encostada na grade foi amenizada por um momento. “Fiquei aqui e não perdi nenhum segundo a visão dela”, garante. “Não podia deixar de me despedir da minha santinha”.

Encerrada a festa, imagem volta ao seu lugar no Glória

Às 5h da manhã, as entradas da Basílica Santuário de Nazaré estavam tomadas por fiéis. Os braços erguidos em direção à entrada da igreja eram explicados pela presença da imagem original de Nossa Senhora de Nazaré, que era vista de perto pelos fiéis pela última vez antes de voltar ao Glória, redoma de cristal onde permanece até maio do ano que vem, no aniversário da elevação da Basílica a Santuário Mariano.

Próximo à escadaria da Basílica, único lugar em que encontrou espaço, a dona de casa Ana Maria Cruz acompanhava a procissão pela 18ª vez. Atrás do grupo de pessoas que conseguiram um lugar à porta da igreja, ela rezava em silêncio com as mãos unidas. “Mesmo que eu não esteja tão perto dela, ela está comigo, porque é a fé que nos faz estar perto dela”, afirma. “Toda vez que me aproximo dela sinto um amor tão profundo que não consigo explicar. É a presença de Deus”.

Ao mesmo tempo em que acompanhava a subida da imagem original em meio às palmas, Lindomar Cavalcante apertava junto ao peito a imagem enfeitada com flores que levou consigo. A promessa que lhe fez carregar a imagem da santa por toda a celebração pagava a conquista de um milagre. “Fiquei sete meses doente e os médicos disseram que não podiam fazer nada. Só pode ser milagre”.

Sentado em uma cadeira de plástico ao lado dos primeiros bancos da Basílica, o aposentado Manoel Costa também pedia saúde. Para ficar próximo ao altar, chegou à igreja às 4h30. “Acompanho a subida desde criança. Toda vez que a vejo de perto (a imagem original) sinto uma emoção muito grande”. (Diário do Pará)

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