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Angelopoulos: imagens etéreas e silenciosas

Segunda-Feira, 06/02/2012, 09:32:53 - Atualizado em 06/02/2012, 09:35:08
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Angelopoulos: imagens etéreas e silenciosas (Foto: Divulgação)

Sessão homenageia talento do cineasta grego Theo Angelopoulos (Foto: Divulgação)

Atropelado por uma moto. Assim deixou este mundo o homem que, através do cinema, projetou um mundo vasto, cheio de complexidades transmutadas na sua amada Grécia, mas explorando temas universais que o tornaram premiado pelo olhar sensível e reflexivo. Theo Angelopoulos, que faleceu aos 76 anos no último dia 25 de janeiro - em meio às filmagens de “O Outro Mar” - ganha uma merecida homenagem da Associação de Críticos de Cinema do Pará (ACCPA), com a exibição de “O Passo Suspenso da Cegonha” no Cineclube Alexandrino Moreira, do Instituto de Artes do Pará.

Figura emblemática do novo cinema grego, iniciado nos anos 1970, Angelopoulos foi premiado com a Palma de Ouro de Cannes, em 1998, por “A eternidade e um dia”, prêmio que abriu a prerrogativa para que os cineastas gregos conseguissem penetrar nos circuitos internacionais. Ele falava da Grécia e se confundia com a própria ideia de cinema grego, como “O Passo Suspenso da Cegonha”, que mostra um jovem jornalista em conflito. Enviado a uma região de fronteira, ele descobre uma cidade dividida por um rio, assim como seus moradores e refugiados de diferentes países, que esperam a chance de sair daquele lugar - chamado de ‘sala de espera’ - e recomeçar a vida noutro lugar qualquer.

Os grandes Marcelo Mastroianni e Jeanne Moreau estrelam “O Passo Suspenso da Cegonha”, realizado após o grande sucesso de “Paisagem na Neblina”, reforça a qualidade do cinema de Angelopoulos ao tratar de um assunto ao mesmo tempo humano e político, revelando os anseios das pessoas que tiveram suas liberdades limitadas e que sonhavam com novos caminhos.

Nunca lançado nos cinemas brasileiros, “O Passo Suspenso da Cegonha” representa boa parte das crenças morais e estéticas de Angelopoulos. Uma busca pela harmonia, pela felicidade, pelo sonho de ser, transformada em imagens etéreas e silenciosas. Nascido em 1935, Angelopoulos foi uma criança que sofreu com as atribulações da vida grega da época, com a II Guerra Mundial e a Guerra Civil, da qual o pai “desapareceu” depois de ter sido preso. A partida, o rompimento, o não pertencimento, são temas que tornam seus filmes quase que autobiográficos. “Angelopoulos foi um diretor que respeitou o cinema como uma arte em busca de perguntas e respostas ao universo humano, usando as imagens como elemento estético de poesia tanto quanto os diálogos. Seus filmes são marcados pelas longas sequências sem cortes que dimensionam o roteiro e permitem que o espectador sinta a cena com toda a força dramática que tem. Sua sensibilidade de equilibrar longas sequências sem cortes, com diálogos cheios de poesia, silêncios com significação, gerou inúmeras cenas antológicas para o cinema”, frisou o crítico e presidente da ACCPA, Marco Antônio Moreira.

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Exibição de “O Passo Suspenso da Cegonha”, hoje (6), às 19h, no Cineclube Alexandrino Moreira (IAP - Praça Justo Chermont, 236, ao lado da Basílica). Entrada Franca. Após o filme, debate entre o público e membros da Associação de Críticos de Cinema do Pará.

(Diário do Pará)

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