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(Foto: Marco Santos)
Mais um crime bárbaro acabou com a tranquilidade da bucólica Mosqueiro. Patrick Botelho da Silva, de 16 anos, foi encontrado despido na passagem Santa Tereza, na área da Praia Grande, na noite de anteontem, amordaçado e amarrado com as próprias roupas e com vários ferimentos. Ele chegou a ser levado para o Hospital Metropolitano, em Ananindeua, mas não resistiu e morreu no início da madrugada de ontem.
Os parentes de Patrick, que aguardavam a liberação do corpo no Instituto Médico Legal (IML) na manhã de ontem, contaram que o jovem passou toda a segunda-feira ajudando na organização do bloco de carnaval “Alegrai-vos”, da Paróquia Nossa Senhora do Ó, padroeira de Mosqueiro. “Ele passou o dia inteiro fazendo serviços para o bloco. Por volta das 19h, ele estava comendo. Fui tomar banho e, quando voltei, ele não estava. Só fui ter notícias dele 21h, quando me ligaram do hospital”, comentou Rose Marques, mãe de criação de Patrick.
Ela contou que várias versões sobre o que aconteceu foram dadas pelos amigos do jovem. “Já falaram que uma pessoa avisou a ele que havia um carro o esperando na porta da igreja. Parece que ele entrou no carro e não foi mais visto”, complementou Rose.
O tio e pai de criação de Patrick, José Maria Mesquita, contou que seu filho foi levado para o pronto-socorro de Mosqueiro e que ao chegar lá o menino esboçou algumas informações. “Ele só pedia que eu procurasse um carro da marca gol da cor azul-marinho com três pessoas dentro. As pessoas que estavam dentro que fizeram isso com Patrick”, explicou o pai.
Após essa conversa com José Maria, Patrick foi encaminhado para o Hospital Metropolitano, onde foi constatado que o jovem havia levado seis facadas, foi violentado sexualmente e espancado. O jovem ainda apresentava uma marca de pneu no tórax, que ainda não havia sido confirmado se era de moto ou carro.
O caso está sendo investigado pela Divisão de Homicídios em parceria com a Seccional Urbana de Mosqueiro. De acordo com o delegado e diretor da Seccional, Milton Neves, já existe uma linha de investigação para o crime. Para ele, a versão de que Patrick teria entrado no carro em frente à igreja não é verídica. “Alguns colegas viram ele passar ao lado da igreja. Se ele entrou no carro, provavelmente, era algum conhecido”, relatou o delegado.
O delegado Milton já intimou algumas testemunhas, inclusive o vigilante que prestou os primeiros atendimentos a Patrick e que acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Alguns materiais que foram encontrados no local do crime, como as roupas do jovem e algumas garrafas de bebidas, foram encaminhados para o Centro de Perícias Cientificas “Renato Chaves”, onde será realizada a perícia.
Enterro foi marcado por dor e comoção
“Meu filho! O que fizeram com você, meu filho?” Esse foi o grito inconformado da mãe do adolescente de 16 anos assassinado em Mosqueiro, na noite da última segunda-feira. O velório do adolescente aconteceu no salão paroquial da Igreja Matriz da ilha. O corpo chegou ao local às 14h20. A dor, que já era grande, se alastrou entre os familiares e amigos com a entrada do caixão.
Os amigos do jovem, que sairiam no bloco “Alegrai-vos”, da Paróquia Nossa Senhora do Ó, na manhã de ontem, estavam inconsoláveis. A emoção era geral. Ele cantava na igreja e também participava do grupo de evangelismo com crianças. A coordenadora do grupo de jovens da paróquia, Maria Cecília, contou como ele era querido por todos. “As crianças chamavam ele de tio caneludo, ele era muito ativo aqui dentro, um menino que verdadeiramente vivia para Deus”, afirma.
Esse seria o segundo ano de saída do bloco de carnaval católico, mas a tragédia cancelou o festejo. Segundo o funcionário da paróquia, José Maria Vigor, já estava tudo pronto para a folia. “Soubemos ontem (segunda) à noite, não tem clima para nada agora. A gente não sabe direito o que aconteceu, ainda estamos abalados”, diz.
Caio Douglas foi um dos últimos amigos a ver o jovem ainda vivo. Os dois cantavam juntos na paróquia. “Eu prestei depoimento à polícia, vi ele saindo da igreja e indo para casa andando. A última coisa que falei com ele foi sobre as camisas que ele estava vendendo para o bloco. Ele disse que íamos vender tudo”, revela.
A cerimônia durou pouco tempo, o corpo foi levado para o cemitério São José, em Mosqueiro, às 17h. Amigos e familiares acompanhavam o enterro, que estava lotado apesar da chuva. Era possível perceber a revolta de muitos curiosos que souberam do crime. Mesmo quem não conhecia o adolescente foi solidário com os parentes. “Que tristeza, tão jovem... isso foi uma crueldade”. (Diário do Pará)
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